A Cura e o Mundo Natural – Entrevista com Dr. James Jealous

A cura e o mundo natural Jim Jealous, osteopata entrevista publicada em Alternative Therapies Janeiro de 1997, vol. 3, número 1

Há uma razão que leva as pessoas a se dirigirem de Estados vizinhos para ver Jim Jealous, DO, na sua clinica em Vermont. É a mesma razão que estudantes arranjam para estarem em suas aulas e que a Universidade New England College de Medicina Osteopatica fundou uma cátedra em seu nome – James Jealous excelência em Medicina Osteopática. Dr. Jealous dedicou sua vida a pesquisar o mundo natural na sua forma fundamental e essencial, e é este conhecimento e seu resultado prático que faz dele um dos mais respeitados doutores em osteopatia da America hoje em dia.

Dr. Jealous é graduado em Osteopatia e Cirurgia em Kirksville College em 1970 e é certificado pela American Osteopathic Board com proficiência especial em osteopatia e medicina manipulativa. Com pratica privada desde 1971, ele atua na clinica em Milton, Vermont e é instrutor clinico na University of New England College of Osteopathic Medicine. Dr. Jealous, membro da American Academy of Osteopathy, a American Osteopathic Association, e Cranial Academy, foi presidente do Osteopathic Center for Children em Londres e membro mais importante da Sutherland Cranial Teaching Foundation.

Terapias Alternativas entrevistou Dr. Jealous em sua clinica em Milton, Vermont no final de 1996.

Terapias Alternativas: nossa filosofia é que enquanto a medicina convencional é muita efetiva em diversas situações, ela não tem todas as respostas. É sobre isso que gostaria de falar com você: as respostas que a medicina convencional não tem.

James Jealous: vamos dar uma olhada nas condições da educação médica. Todo o processo de tornar-se um médico é altamente contraditório aos princípios da cura. Estudantes são educados e não encorajados a explorar nem a se relacionarem como companheiros de viagem numa linda e memorável jornada pelas montanhas da vida. A arte da cura se tornou quase sem uso e a visão biomolecular de cura tem limites evidentes, limites que removem o ” individual”. Isto, é claro, é uma reflexão do ecossistema educacional. O crescimento e desenvolvimento do medico deveria ser estimulado pelo ambiente mais amoroso e perceptivo que humanamente seja possível. Isto é soberano para trazer uma imagem completa da doença em foco.

Osteopatia na sua concepção contém uma filosofia assim como uma ciência. Osteopatas foram solicitados a considerar questões da alma, morte, transcendência, e usar somente as mãos na cura. O conhecimento sobre em qual vida ocorre tem significado. Eu acredito que qualquer arte da cura precisa ajudar indivíduos a encontrar o caminho para a profunda realidade do modelo biomolecular de saúde.

É interessante para mim ver como diversos modelos médicos alternativos estão pouco a pouco se tornando biomolecular. Muitas curas “naturais” são realmente medicamentos biomoleculares e são usados como a medicina tradicional usa as “drogas”. Na minha percepção isto não é necessariamente alternativo, porque uma pratica medica alternativa seria uma visão ampla e bastante individualizada na sua aplicação.

Não haveria um medicamento para cada sintoma ou doença, mas uma única opção para o paciente. As questões profundas sobre a vida precisam estar presentes na imagem e ser parte das questões sobre cura. Nós estamos super simplificando a arte e perdendo a essência sobre o que é cura. Holístico não é o uso de várias curas, é ver Espírito, Alma, Corpo como um todo. O tratamento não é subdividido; se for, a sua posição em relação ao Todo deve ser vista e não deve tentar destruir a doença (alopatia), mas sim, dar apoio para a saúde do Todo. Este foi o princípio da osteopatia; ele permanece muito pouco vivo, mas é praticado por muitas centenas de osteopatas.

A ideia do Todo, da unidade, do indivisível, é estranha para a nossa cultura e está aos poucos desaparecendo como uma forma aborígene que é vista como “primitiva” pelo intelecto. Cada um de nós se depara com essa realidade em nós mesmos e devemos primeiramente encarar essa responsabilidade, e depois a percepção aparecerá. Para nossa cultura é a questão ” profunda”; para a alma aborígene é o estado natural. Não precisamos focar muito em causa e efeito, mas na prioridade do Todo que se move em relação ao Grande Mistério. Ensinar requer um esforço na mesma direção, a visão do Todo individual que se move em novas dimensões da vida. Nós precisamos proteger a percepção eco-receptiva que é o nosso estado natural de ser. Isto está sendo aos poucos descartado e como resultado, as pessoas estão mais doentes do que o necessário. Se elas ficam doentes, o equilíbrio interior e a “paz mental” não se sobrepõe a um evento casual, e como resultado o sofrimento aumenta. O mesmo processo está presente na educação.

Se estamos buscando um sistema alternativo de cuidado da saúde, o treinamento deve refletir sobre esta diferença. Filosofia não é suficiente. Nós devemos experimentar e viver os princípios. Os médicos não devem priorizar suas relações com os pacientes em função do tempo. Este é um problema sério. Um atendimento no consultório sobre uma doença precisa no mínimo de meia hora.

Terapias Alternativas: não sete minutos?

James Jealous: eu não sou brilhante o suficiente para praticar a medicina em sete minutos, demorar-se mais é necessário e prudente, mas é também econômico. Eu digo isso, porque a medicina alternativa não deveria ser mais cara. Um tratamento osteopático é geralmente aplicado uma vez (para uma doença intensa), o paciente tem a percepção do porquê ele ficou doente e como isto impacta nas questões essenciais da sua vida e se recupera mais rapidamente sem medicamentos. Pacientes por períodos mais longos começam a “administrar” seu equilíbrio interior e aprendem como ficar saudáveis. Tudo isto requer notavelmente menos cuidados com a saúde. Curadores são professores, companheiros de viagem e exploradores. Pacientes estão em papéis similares na esfera de suas vidas. Estamos aqui para libertar pessoas de uma rotina de cuidados com a saúde, não criar dependência. Rápidos atendimentos no consultório deixam os pacientes frustrados e dependentes; eles também permanecem vindo sem parar e não encontram seu próprio caminho. O cuidado médico nos EUA está tentando arrebanhar pessoas como gado. As pessoas são essencialmente espiritualizadas e encontrarão seu caminho por sua própria conta. O cuidado rotineiro com a saúde está se tornando cada vez menos sensível. Interessante.

Terapias Alternativas: este tipo de pensamento é o fundamento da medicina osteopática?

James Jealous: no fundamento sim, mas não é um status quo. Como em todas as escolas de cura, o âmago essencial é o menos evidente. O individual é ainda a chave da resposta; não podemos culpar quem somos em nada. Algumas pessoas apenas desejam servir o máximo possível a Saúde em cada um de nós; não lutar com a doença. A maior parte dos doutores compraram status, materialidade, e medo do modelo da principal corrente médica. As exceções que encontramos provam o potencial da nossa filosofia. Apenas um pequeno número de doutores continuam a explorar nossos fundamentos.

Terapias Alternativas: o que são estes fundamentos?

James Jealous: nosso objetivo é aprender sobre as leis naturais usando as habilidades perceptuais que desenvolvemos no nosso treino e prática. O ponto principal deste trabalho é perceptual; o conceito cresceu de repetidas observações até que as leis da natureza se tornaram mais claras. Nós aprendemos a sentir o Todo. Quando encontramos o paciente vemos o Todo, uma rara situação no mundo moderno. Não devemos dividir a vida em corpo/psique/vísceras, etc. Esta é uma situação encerrada apenas num momento. É raro. Pacientes são muito mais conscientes de que uma atenção diferente está presente. Eles comentam sobre. Não intelectal nem intuitivo. É aborígene, instintivo. Não há uma conclusão imediata ou diagnóstico – isto ocorre muito mais tarde. O momento é preenchido com o esforço de estar presente com a Saúde no paciente e a historia como revelação na sua própria resposta. Às vezes isto requer uma clara aparência do paciente, baixa observação, sem foco na necessidade de conclusão. O processo é estranho primeiramente, mas depois de um tempo encontramos uma naturalidade como essencialmente é. Nós aprendemos nossas habilidades através de aprendizado de alguma coisa que não tem nome, mas nos ensina um grande negócio. Nós aprendemos percepção sensorial sem revestimento conceitual, mas que acontece mais profundo que se possa imaginar. Aprender sobre isto é diferente e exige esforço. Muito poucas pessoas são dedicadas a esta forma de vida; seus interesses são diferentes. Assim, nossa profissão é amplamente alopática e isto é uma grande perda para todos.

Nós usamos nossas mãos para diagnosticar, perceptualmente e terapeuticamente; é assim simples e profundo. Não estamos ouvindo os sintomas, mas a uma prioridade pré estabelecida colocada em movimento pela Saúde do paciente. O fundador da osteopatia e médico cirurgião, tinha uma visão e seguiu seus insights. Ele treinou médicos para usar suas mãos para a cura junto com medicamentos muito simples e naturais: dieta, descanso, meditação, oração, nada foi acrescentado além de “mãos em cura”. Isto funciona!

Terapias Alternativas: fale mais sobre leis naturais

James Jealous: bom, antes de tudo as leis naturais não são feitas pelo homem. Não são concebidas pela pesquisa a não ser a observação. Segundo, estamos cientes de que muitas leis existem e agem na cura em que estamos completamente desinformados , e ainda elas atuam profundamente no processo. A coisa interessante é que nossa percepção pode sentir a intenção das leis naturais, a intenção da Saúde no trabalho, onde prioridades estão sendo estabelecidas.

Geralmente, uma vez que isto é comunicado, o paciente já está ciente disso, mas deve ter descartado a informação. Nossa motivação e nossa habilidade é entender a intenção da saúde no paciente, como ela atua indivisível na busca do equilíbrio e harmonia. Como disse antes, isto não é limitado pela doença terminal.

Depois de perceber aos poucos o sentido desta realidade de prática através das mãos, é possível sentir-se abençoado por ser um osteopata. Muitas pessoas não sentem a beleza disto e usam mais o modelo mecânico e alinhamento de estrutura para melhorar a saúde removendo barreiras neuromusculares. Este é um bom trabalho, mas não tem um interesse contínuo por muitos médicos.

O mundo natural é dotado de uma consciência que se estende em todas as direções. Nossos números são limitados pelo tempo, pelo interesse e pelos professores. Leva anos, muitos; é um estilo de vida realmente. Minha idéia de medicina alternativa é uma percepção alternativa do mundo, não só da doença. A osteopatia tem sido alternativa desde 1874. Nós ainda estamos aqui. Medicina alternativa, para mim, trata-se de uma visão de vida diferente, de uma beleza reverenciada e profundamente instrutiva. Receitando óleo de tea tree para fungus nas unhas ao invés da potencialidade tóxica de um químico é um remedio muito mais natural, mas não é ainda uma cura alternativa. Qualquer forma de raciocínio que vai atrás da doença para combate-la, é apenas parcialmente alternativa. O que suporta o Todo na sua interface com a sabedoria do mundo natural é alternativo. Ele suporta a Saúde, o não divisível, a sabedoria transcendente da vida , primeiramente. Em doenças comuns, raramente é preciso mais do que isto. Em torno de 80% das doenças comuns serão curadas desta forma, se o paciente é capaz de deixá-lo trabalhar ( tempo, percepção). Senão, um tratamento alopático mais direto é necessário. A maior parte dos tratamentos alternativos estão ainda re-focando no modelo alopático. A pureza da tradição está morrendo, porque muito pouco tempo está sendo dado para uma relação profunda com as leis naturais. Estamos enlouquecendo, em alguns casos estamos sendo enlouquecidos por pessoas interessadas em ganhos financeiros sob a bandeira do alternativo, mas não há comprometimento. Cada um deve saber por si próprio.

Deixe-me contar a história de um paciente que morreu, mas foi curado e na paz – saudável.

Eu conheci John por 15 anos. Fui o médico de sua família numa pequena cidade rural. Ele tinha 52 anos e era um workaholic. Sua esposa e filho eram muito ansiosos e doentes quimicamente. Ele era motorista. Eu o vi por anos, sistematicamente.

Aos 52 anos ele desenvolveu câncer no pulmão por causa da exposição química em seu trabalho. Indicamos a ele, como ele pediu, um oncologista. Ele foi tratado com quimioterapia e medicação dolorosa (narcóticos). Ele procurou meu consultório e veio procurando por um tratamento. Eu concordei. Este pedido foi algo fora do normal para ele. Ele veio semanalmente. Eu nunca perguntei o por quê, apenas o tratei seguindo a pureza da saúde, não tentando encontrar a doença, a qual eu senti estava muito além da cura. Após vários meses seguintes senti alguma coisa diferente. Lembremos, antes ele estava inatingível. Finalmente, eu perguntei por que ele queria estes tratamentos.

Eu pude sentir uma profunda mudança em minhas mãos, alguma coisa que emergiu do sofrimento. Ele me disse que sem o tratamento ele precisava de muitas pílulas analgésicas e com o tratamento ele não precisou de nenhuma! Eu fiquei chocado, mas não surpreso com isto. Ele continuou: estou mais calmo depois dos tratamentos. De onde estava vindo esta mudança? Nós não o enviamos a nenhum psiquiatra, nenhum Monastério Zen. De onde vem o broto da flor? Ele morreu em paz, amando e com suas relações em equilíbrio.

Ele me ajudou a entender o que eu apenas havia “sentido” antes. A Saúde no paciente não pode ficar doente ou morrer. Você não pode matá-la. Ela é transcendente. Tudo o que precisamos fazer é ouvir, usar nossas mãos de um modo habilidoso, ser pacientes, ter tempo e seguir a Saúde. Então, as leis naturais, não “forjadas pelas mãos humanas” nos revelarão o nosso papel no momento. O intelecto permanece detido. Não é realmente da minha conta como o processo de cura acontece.

Terapias Alternativas: Não é da sua conta?

James Jealous: tudo o que posso fazer é ajudar a vida a encontrar o equilíbrio no caminho que ela pretende ir. Esta é a frase chave: o caminho que ela pretende. Eu vi John alguns dias antes dele morrer e foi como colocar as mãos na pessoa viva mais saudável. Eu sei que isto parece estranho, mas havia um lindo equilíbrio nele. Ele estava feliz.

A cura não é conseguir a libertação dos sintomas. Trata-se de uma totalidade individual, que nós lembramos instintivamente no momento em que a tocamos. Os tratamentos nos ajudam a recordar e a reintegrar aquilo que não é preciso aprender. Em algumas pessoas a morte é o portal para uma percepção que a nossa cultura removeu.

Quando um paciente vem ao consultório estamos sempre começando, a cada momento, apenas esperando e percebendo a pureza e sentindo a saúde trabalhar. Isto exige anos de treinamento e um amor pelo presente da nossa essência natural. Estamos ouvindo com nossas mãos a história se revelando na consciência de cada um de nós. Quantos médicos conseguiram ouvir a história toda?

Terapias Alternativas: o que você experimenta quando trata com suas mãos? pode nos falar sobre como é isto para você?

Jealous: não é simples explicar, e espero que isto não seja confuso para as pessoas que não estão associadas à habilidade perceptual. Eu levei 20 anos para começar a entender. Eu ainda me sinto um iniciante. É uma longa jornada na relação com as leis naturais. Estou aprendendo mais o tempo todo. Realmente é uma vida profunda que nos favorece. Algum novo relacionamento está sempre se expressando; isto acontece durante o tratamento. Os pacientes trazem um aprendizado com eles. Não é dito, mas nossos sentidos o conhecem claramente. Aprimorar as habilidades não é um acontecimento previsível. Novas habilidades aparecem da associação direta com as leis naturais da cura. Aprendemos coisas completamente inesperadas, não encontradas em livros, não são extensões de habilidades conhecidas, mas frescas. Eu nunca sei qual será o próximo “fato”. Eu confio plenamente que seguindo os princípios do meu treinamento, o entendimento acontecerá.

O que acontece quando coloco as mãos no paciente, é uma profunda questão. Minha resposta será pessoal. Não posso falar pelos meus colegas osteopatas ou meus alunos. É uma questão de honestidade com nossa própria saúde e uma relação profunda com o dom natural de dar.

Terapias Alternativas: você ensina sobre o que está falando? Você não está ensinando como manipular os ossos, está?

Jealous: sim, eu ensino ossos, mas é a parte de um todo. É preciso entender e trabalhar com os ossos, por um longo período; isto fundamenta os sentidos e ajuda a entender a assimetria e o equilíbrio no Todo. É o modelo sensorial básico. Aprende-se todas as técnicas normalmente divididas em manipulação, apalpação, liberação das fáscias, cranio, etc., e muitos anos de anatomia. Anos de entendimento do movimento até você sentir a unidade normal da vida. Começa-se a sentir as forças da cura. No início nossa mente fica confusa porque não é o modelo mecânico ou hidráulico. Muitas pessoas param aqui. Acredito que é muito difícil acreditar no que alguém sente. Nós estudamos embriologia, as leis da formação, ” nunca esquecendo a perfeita proporção” como um embriologista coloca. Nós percebemos esta sabedoria e a precisão que ela demanda de nós. Precisamos de um longo treinamento. Algumas pessoas acreditam em atalhos, mas a vida nos quer no Todo – não uma parte de nós, mas todos nós. Temos que acreditar que somos especiais. Eu não falo em ser melhor, mas em uma criação consciente de alta inteligência, como qualquer coisa bonita. Nós somos parte da arte da natureza.

Ensinar exige um treinamento um a um dos alunos e um real respeito pela Saúde deles. Não somos professores, mas parceiros de viagem numa estrada escolhida, não escravizada. Eu ensino no passo definido pelos estudantes (isto se aplica a todos os níveis, em graduação e muitos anos de pós graduação). É do coração para as mãos. A lição mais difícil para ensinar é como trabalhar no tempo da saúde. Nós não eliminamos cada doença. Sabe, três minutos de espera é uma tortura para algumas pessoas. Nós precisamos de tempo, tempo “livre”.

Os alunos aprendem que eles já são hábeis, perceptivos. Nós permitimos emergir o que é natural, e eles se surpreendem. Muito poucos professores tentam e nos ajudam a ver a vida dinâmica que somos. Não precisamos nos tornar iluminados, nós já somos. Nós precisamos sentir a nossa totalidade, relaxamos nesta beleza e começamos. A vida por si só é linda. Não deixo de ver a violência e o sofrimento. Eu as vejo e vejo alguma outra coisa nos sustentando. Na medicina este foco está perdido. Minha experiência com a medicina atual não é prazerosa por causa do seu foco. Quinze anos atrás ou mais, eu tinha um inchaço na minha tireóide. Fui a diversos especialistas e foi dito que eu tinha câncer. Estavam todos muito nervosos, excitados, perturbados; eles precisavam de um discernimento e estavam com medo do meu câncer. Eles traçaram uma imagem mórbida. Eu estava com muito medo. Eu lhes disse que não voltaria, porque percebi pelo medo deles que eu estava com medo de morrer. Isto me surpreendeu, porque eu acreditava que amava a vida o suficiente para morrer sem medo. Eu decidi que precisava ficar em paz com a morte e não fazer nada por medo. Os médicos estavam bravos. Eu nunca falei a ninguém. Eu simplesmente decidi que queria ficar livre do medo. Isto foi uma questão de integridade com o presente de estar vivo.

Eu não acompanhei o crescimento por um ano e meio. Fiz isto porque realmente era assustador sentir e pensar sobre a morte, o câncer e um “vazio”. Eu trabalhava para não me deixar esquecer o medo que tinha da morte. Então, eu ia viver o meu dia a dia. Nada mais. Eu realmente tentei ver meu medo e ajudá-lo através deste desentendimento. Ele foi embora. O crescimento foi embora e nunca mais voltou. Não estou proclamando uma auto cura. Não tenho a menor idéia sobre o que aconteceu ou porque. Mas eu tive a escolha entre meu espírito e o medo. Tenho orgulho de fazer parte da natureza. Eu amo a natureza. Tenho orgulho de ser mesclado com as árvores, o sol e tudo o mais. Este sentimento de totalidade foi violentado pelo medo. Eu não podia parar de amar o que me deu forma e consciência. Eu trouxe o medo junto comigo e continuei. Nós somos iluminados, nós sabemos que pertencemos intimamente à vida, e isto é precioso; ela continua nos dando a cada um de nós 100% sem restrição. É simplesmente a verdade.

Terapias Alternativas: os osteopatas têm uma definição de morte?

Jealous: o fundador, Dr. A.T. Still, disse: ” o corpo é a segunda placenta”. Acho que a pergunta é melhor respondida ao dizer que a morte não existe. Eu não imponho o meu entendimento no paciente. Eu amparo todas as decisões deles desde que estejam cientes sobre as suas escolhas dos cuidados de saúde. Eu tenho evidências de todos os lados destes assuntos. Meu trabalho é permanecer ciente da saúde que não adoece neles e dar suporte a ela. Os pacientes são habilidosos; é preciso humildade para pedir ajuda. Quando coloco minhas mãos num paciente eu começo a sentir a totalidade, transcendência, não como uma idéia ou como uma verdade eterna, mas esperando até ela ser evidente. Eu vejo o medo, eu o sinto em minhas mãos, eu sinto a doença, as lesões, a história, e espero. Eu estou esperando algo que não conheço; não um diagnóstico, isto será mais tarde. Agora é o momento que a Saúde faz interface com a doença. Esta prioridade deve ser vista diretamente, não ser deduzida.

Terapias Alternativas: como você mudaria nosso sistema de saúde para acomodar isto?

Jealous: se examinarmos se podemos ou não mudar o sistema de saúde em nosso país, nós não podemos. Nós queremos que as coisas modem, porque acreditamos em coisas diferentes de outras pessoas, mas certamente pessoas que praticam a medicina têm o direito de praticar do seu modo, e existem pacientes que preferem formatos diferentes. Não acho que seja nosso lugar ditar o que deve ser feito.

Nós nunca tivemos um abrigo eficaz, com segurança e inteligência para pessoas que querem praticar medicina holística. Precisamos reconhece-las. Ao invés de coloca-las para baixo porque elas querem despender tempo com os pacientes, nós precisamos dizer, ” isto está bem”. Há necessidade de algum tipo de reconhecimento. Eu não acho que vamos conseguir mudar o sistema de saúde de nosso país, porque ele não está sendo conduzido por médicos.

A psiqué, o conteúdo metafórico atras do sistema de saúde, é a mesma coisa que acontece nos filmes e tudo o mais. É um fast food. Pessoas querem ação e querem agora mesmo.

Talvez eu seja ignorante, mas acho uma besteira tentar mudar qualquer coisa por imposição. O que faz a medicina alternativa ser o que é, se está sendo alguma coisa, são os indivíduos. Ao invés de ter pessoas recrutando outras, eu prefiro vê-las em seus consultórios trabalhando. Deixe os estudantes irem a eles. Faça-os trabalhar. Porque é trabalho. Fique no centro e espere.

AT: voltemos ao assunto da cura

Jealous: Cura é a emergência da originalidade. Vamos dar uma olhada nesta sentença por um momento. O Sopro da Vida vem para o corpo. Nós podemos sentir vários ritmos que são criados a partir dele, e podemos perceber que um processo se inicia. Não o estamos alterando. Não o estamos analisando. Podemos perceber o Sopro da Vida entrar no corpo, vir para a linha média e através da linha média, gerar diferentes formas de ritmos no campo bioelétrico, fluidos, e tecidos. Essencialmente o que ocorre é gênesis. Nunca pára. Momento a momento estamos construindo nova forma e função. Sente-se isto, diretamente.

Quando lia a literatura sobre embriologia, encontrei a pesquisa feita por um alemão chamado Blechschmidt. Ele foi um cientista apaixonado pelos embriões. Sua questão era sobre a Biodinâmica e a Bioquinética do desenvolvimento humano. Como isto funciona? O que acontece? Ele nunca teve sua resposta. Ele escreveu que a causa da origem do embrião é mantida na consciência do próprio embrião. Esta não é uma citação direta, mas tem um segredo, um mistério que deve permanecer. Pode-se sentir a sua gênesis. Está no centro do processo da Cura.

Blechschmidt era fascinado pelo fato de que havia uma força dentro dos fluidos do corpo que não vinha do campo genético. Esta força dentro dos fluidos contém de fato a idéia da forma do corpo humano, que pode ser o rim, a vértebra ou olho, e traz isto na sua manifestação. Então o gene a modifica. Assim, nós temos modificações genéticas, culturais e raciais. Antes destas modificações há uma forma divina. Ela coexiste durante nossa vida toda. Existe um momento em que estamos todos perfeitamente amparados na matrix da mais fina Intenção, um momento de cura.

Blechschmidt descreveu seis diferentes caminhos nos quais os fluidos interagem entre eles dentro do corpo. William Sutherland, o fundador e gênio da osteopatia no campo cranial, percebeu estas forças nos fluidos, no entanto, eles nunca se encontraram ou leram os trabalhos de cada um. Quando li que este embriologista estava descrevendo as mesmas forças nos fluidos como o fez um dos grandes professores de osteopatia, isto foi o suficiente.

Desde então despendi muito tempo apenas olhando as fotos de embriões nas primeiras seis semanas de vida, antes da genética tomar conta. Muitas pessoas não concordam com o que estou falando, ou talvez irão interpretar erroneamente, mas estas forças existem. Muitas culturas antigas reconhecem esta verdade. Mas como eles sabiam? Eles sabiam porque era uma coisa que eles percebiam diretamente, um fato natural.

Agora, estamos apenas numa viagem filosófica ou há algum conhecimento prático na percepção e entendimento de que há uma força respiratória no corpo 24 horas por dia? Está vigilante, está alerta, trabalhando pelo paciente. Não pode se tornar doente. É anterior a isto. Tudo o que faz é carregar a forma original naquela pessoa.. E é o que emerge daquele homem que teve câncer quando ele soube que ia morrer. É o que chamaríamos de “seu espírito”. Porque veio daquela maneira, naquele momento, não sabemos. Mas faz interface com todos os momentos da nossa vida. O ar poluído vindo em nosso nariz, os bons pensamentos que temos, nosso cabelo, nossa idade, o quanto urinamos. Faz interface com cada momento e se parar de estar lá, você não morreria, você dissolveria. Você não teria a matriz para sua consciência, mesmo depois da morte.

Vamos dizer, há três anos atras você bateu sua cabeça e desde então você sente tonturas. Você tomou todo tipo de medicamentos e nada funcionou. Você até teve vertigem. Se você tivesse ido ao meu consultório e eu tivesse colocado minhas mãos em você, eu não estaria olhando para o padrão de tensão no seu corpo. Eu não olharia para a sua doença. Eu observo o Sopro da Vida, esta força no seu corpo que é imutável, e olharia como ela estaria tentando te ajudar. Sua doença era pré cognitiva. Sabia que você estava caminhando para o muro antes de você ir, não de uma forma psicológica, mas perceptualmente, algo que sabia.

AT: você está falando de premonições?

Jealous: não estou falando de premonições. Se você falar com muitas pessoas que tem acidentes automobilísticos, milésimos de segundos antes de acontecer, eles sabem dele. Estou falando de como o corpo está preparado para receber o choque, seja ele emocional, bioquímico, genético ou físico. Assim, o tratamento está estabelecido antes também, e certamente durante o processo de atingir o corpo, o espírito ou a alma.

O plano para o paciente ficar bem está lá porque aquilo que fez o corpo é o que estabelece o plano. Ele cria compensação para manter o equilíbrio – o que chamamos de homeostase – durante o maior tempo possível. Agora eu sei que se um médico ouvir isto dirá “isto é louco”. Algumas idéias de saúde são extremamente estreitas, então a morte é um insulto para os médicos. Mas é muito maior do que isto. Nós podemos sentir o movimento desta força dentro do corpo, imutável tanto no adulto quanto no recém nascido, e até dois ou três dias após a morte. Depois parece desaparecer. Agora, não quero falar disto, porque isto é avançar para a outra extremidade, e há muitas coisas que não sei a respeito. Mas acho que Elizabeth Kubler-Ross prestou um grande serviço para a humanidade. Ela nos fez acordar para o fato de que havia mais perfeição do que se apresenta para nós. Ela colocou o amor na linha de frente. Não era o amor emocional. Era um conhecimento inconsciente do vínculo que existe entre todo ser humano antes mesmo de você encontrar a pessoa. Isto é muito uma realidade.

AT: diga mais sobre a prática de osteopatia.

Jealous: o paciente vem ao meu consultório. Ele deu uma pancada na cabeça, e ficou com tonturas. Isto vem acontecendo há três anos. Assim, se colocamos a mão no corpo do paciente, a primeira coisa a fazer é abrir nossos sentidos para o espaço periférico no consultório e estender para o horizonte, por suas próprias forças. Não pela intenção. Muitas pessoas gostam de usar sua intenção, sua atenção, e gostam de visualizar. Eu sei anatomia suficientemente para saber que se eu tento visualizar anatomia, eu estaria cometendo um terrível erro, porque há muita variação. Para mim estes elementos de atenção e visualização não entram no processo terapêutico. Eles têm lugar em outros temas, mas não neste.

Assim como seus pulmões inspiram e expiram, a atenção inspira e expira. Você sabe como pode relaxar o abdômen para você não respirar para cima o tempo todo? O que aconteceria se sua mente tivesse a possibilidade de respirar?

Ao invés de trabalhar com a respiração ou ar, nós trabalhamos com o Sopro da Vida. Nós deixamos a mente respirar. Isto é um trabalho duro. Algumas pessoas começam a chorar depois de fazer isto pela primeira vez, porque realizam que foram feitos a mão, a propósito, por um artista que ama o seu trabalho. Eles se sentem completamente abraçados pela vida e percebem a mágica. Então, lutam para que isso retorne. E é quando eles fracassam porque você deve solta-lo. O primeiro passo para sentir o Sopro da Vida não se trata de apalpação ou remexer procurando lesões. Primeiramente você sente a Saúde do paciente. Você está sentindo o Sopro da Vida como ele vai para um organismo vivo, naquela pessoa, e você está sentindo o corpo, a alma, e espírito como uma completa unidade em funcionamento. Não há partes. Se você divide corpo, alma e espírito, mesmo conceitualmente, nas suas mãos, você não está fazendo o que estou falando. Você está fazendo outra coisa.

Eu não estou falando sobre colocar as mãos numa pessoa e dizer: “esta pessoa é nervosa”, ou está tendo um dia ruim. Isto é intuição. Isto é uma coisa totalmente diferente. Você sente o Sopro da Vida atingindo o corpo e surge a linha média. A linha média é uma linha bio elétrica que é uma reminiscência da notocorda formada no embrião. É a primeira linha de orientação de toda a dinâmica espacial. O Sopro da Vida entra ao longo desta linha, e então cria mudanças no corpo. Cria movimentos, fluidos, tecidos e assim por diante. Nós sentimos isto.

Esta Saúde no paciente esteve tentando curá-lo desde que a doença foi impressa. Assim, no caso da pessoa com tonturas, a Saúde esteve trabalhando nele por três anos. Ela tinha o plano para curar. A pergunta mais comum que tenho agora dos estudantes é, ” porque ela não cura o paciente sem nossa ajuda?”

AT.: eu ia perguntar exatamente sobre isto.

Jealous: quando você atinge o vórtex da interface entre as forças de cura e a deformidade, poderia ser 100 gramas por polegada quadrada de pressão sendo retida na deformidade. A força do insulto estabelece vetores no corpo. Eu não desejo isso a ninguém, mas vamos dizer que você viu um amigo ser atropelado por um automóvel. Quantas gramas por polegada quadrada você acha que o choque foi colocado no seu sistema? Um monte. O suficiente para você poderia levanter um automóvel. Vamos supor que se esta força de cura pudesse equilibrar 100 gramas por polegada quadrada no seu corpo, você romperia todas as artérias, veias e linfas. Se ela produzisse a força necessária para curar diretamente, sua própria arquitetura entraria em colapso.

Assim não há ganhos. Em outras palavras, é preciso curar através de transmutaçoes, que é mudra a força física em outra forma de força coma qual poderá lidar. Num certo ponto de amaciamento, muito rapidamente, como num estalar de dedos, ela muda para outra forma de energia. A informação para a mudança vem do Sopro da Vida. Assim, a desproporção da lesão ou doença ou ferimento é limitada em todos os lados. O processo da doença é uma decisão inteligente feito pelo Sopro da Vida para proteger o organismo de se destruir. Doença não é um inimigo. É uma inteligente, sábia decisão para entrar em equilíbrio.

Pense sobre a morte. O que você recupera na morte?

AT.: sua forma original.

Jealous: certo. Sua forma original. É inacreditável quando você a vê. Você sabe quantas vezes, depois de alguns tratamentos, o paciente dirá, ” eu sinto mais de mim mesmo”? Eles dirão ” eu posso ver luzes movendo através da superfície das folhas após a chuva”. Eu digo, ” sempre estiveram lá”. Não é um campo perceptual místico. É normal.”

Nós somos naturalmente bem dotados.

O que aconteceria se você reclamasse sua forma original? Não seria interessante saber quem você foi? Não seria interessante saber a intenção do Sopro da Vida quando ele te fez?

AT.: você fala sobre estas coisas com seus pacientes?

Jealous: esta conversa que estou tendo com você, num nível pouco detalhado, acontece com meus pacientes na maioria das vezes. Eu não tento falar sobre isso com eles. Eu não posso dizer que os amo no termo casual da palavra, mas eu vejo algo neles e sei que está vindo, e eu pergunto,” por que não agora?”

Porque não ficam todos melhor? Simplesmente não é o tempo. E esta é a única resposta. O paciente não deveria se culpar por não melhorar. Se os médicos tradicionais erram em não dar tempo suficiente aos pacientes entenderem o corpo, alma e espírito como um todo, os praticantes de saúde alternativa fazem igualmente erros quando responsabilizam os pacientes por não estarem conscientes suficientemente para melhorarem. Não é culpa de ninguém. Trata-se mais de tempo e momento de cura.

Pessoas não são estúpidas. A maioria é muito brilhante. Alguns médicos se acham mais inteligentes que qualquer um, mas isto não é verdade. Somos todos muito humanos.

AT.: como você ensina os alunos a sentir estas forças?

Jealous: primeiro, eu digo que eles podem praticar do jeito que eles quiserem, desde que seja seguro, efetivo e inteligente. Eles podem