Origens da TICS®

Osteopatia

No final do século XIX, o médico americano Andrew T. Still, depois de perder seus três filhos devido a uma epidemia de meningite, desiludiu-se com a medicina convencional da época e desenvolveu uma nova modalidade de medicina natural, que denominou de Osteopatia. Essa ciência que se baseia nos ossos como ponto de partida para diagnosticar e tratar condições patológicas considera o homem em sua totalidade – matéria, mente e espírito – e o reconhece como um mecanismo perfeito de autocura. O funcionamento eficiente do corpo humano que ele chamou de “farmácia de Deus” depende da nutrição e desintoxicação sanguínea, linfática e do sistema nervoso que acontecem quando a estrutura do corpo está livre de desarranjos na sua mecânica. Ele desenvolveu um sistema de trabalho em que a causa da doença é tratada, podendo ser aplicado em todas as condições clínicas, além de ser curativo e preventivo. Em 1892, Still teve seu trabalho reconhecido e fundou a primeira escola de Osteopatia no mundo, a American School of Osteopathy, em Kirksville.

Osteopatia Craniana

Em 1899, Willian Garner Sutherland (1873 – 1954), aluno de Dr. Still, aos 27 anos de idade ficou fascinado ao observar um crânio desarticulado e, quando viu como os ossos temporais são sobrepostos aos parietais nas suas suturas, teve um insight que tais suturas eram biseladas como as guelras de um peixe, indicando mobilidade articular para um mecanismo respiratório. Observou que suturas entre os ossos do crânio permanecem móveis por toda a vida, pois são estruturas vivas que contêm tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e nervos, conforme demonstrado posteriormente por estudos histológicos. Por volta de 1930, Sutherland estudou a dura mater e seus desdobramentos e visualizou uma rede contínua de tecido conjuntivo do crânio ao sacro que ele chamou de conexão central. Descreveu também a flutuação do líquor no sistema nervoso que seria guiado pelo que chamou de Mecanismo da Respiração Primária.

Assim como os pulmões respiram e o coração pulsa com um ritmo alternado de expansão e contração, o Sistema Nervoso Central também possui o seu próprio ritmo involuntário de movimento. Dr. Sutherland descreveu essa atividade inerente do SNC como um movimento de respiração com fases de inalação e exalação. Esse movimento se expressa em todas as células do corpo e influencia todas as suas funções. Pode ser percebido por meio de treinamento adequado e influenciado para promover uma resposta terapêutica. Sua pesquisa foi a combinação de um profundo conhecimento de anatomia, com um acurado senso tátil e ele teve suas descobertas comprovadas recentemente por meio de estudos de ressonância magnética. Nos últimos dez anos de sua vida, Sutherland dedicou-se a observar uma força externa que gerava o movimento do Mecanismo da Respiração Primária. Ele percebeu essa força passando pelo corpo do paciente e a chamou de Sopro da Vida. “O cérebro humano é um motor, o Sopro da Vida é a faísca de ignição do motor, algo que não é material, que não podemos ver.” – Willam G. Sutherland (The Contributions of Thought, 2ª edição, p. 147)

Sutherland desenvolveu uma linguagem perceptual conectada ao mundo natural como se os pacientes fossem parte de um oceano e o Sopro da Vida gerasse uma força que se transmutaria em movimentos rítmicos como as marés. Esse conceito foi posteriormente desenvolvido por diversos osteopatas, como Dr. Rollin Becker e Dr. James Jealous, que descreveram o ritmo da Maré Longa, Maré Média e o Impulso Rítmico Craniano (IRC). Sutherland começou a ensinar outros osteopatas em torno de 1930 até sua morte em 1954, aos 82 anos de idade, deixando como contribuição a chamada Osteopatia Craniana.

Osteopatia Biodinâmica

Dr. James Jealous diz ter nascido como osteopata em 1943. Seu pai e seu padrinho eram osteopatas. Ele se graduou em 1970 e teve como mentores Rollin Becker e Ruby Day, que estudaram diretamente com Dr. Sutherland. Em 1994 fundou a Osteopatia Biodinâmica, adaptando o termo biodinâmico de seus estudos do embriologista alemão Erich Blechschmidt. Com sua vasta e bem sucedida experiência clínica, Jealous observou e nomeou as forças fluídicas de reabsorção, regeneração e formação do embrião que estão presentes durante todo o período de uma vida e as maneiras de cooperar com essas forças terapêuticas.

“A fundação desse programa é feita sobre os poderes terapêuticos da Quietude Dinâmica, o Sopro da Vida, a potência da Maré, os fluidos e outras Leis Naturais que estão trabalhando no suporte e geração da vida. Nenhuma técnica será ensinada, a não ser a total cooperação com o composto do Mecanismo Vivo e sua intenção no presente momento. Não é sobre ossos, ou alavancas, ou palpação. Não é sobre tensão articular ligamentosa ou tensão recíproca de membranas; estas abordagens são uma outra combinação. É acerca da ação da Maré como sendo a fonte primária de diagnóstico e tratamento, sem nenhuma aplicação de força nas lesões osteopáticas ou nos sistemas psicoemocionais.” – Dr. James Jealous (www.jamesjealous.com)

Terapia de Integração Craniossacral®

Aluna do Dr. Jealous, Aziza Lurica Noguchi, graduada em Odontologia na USP e terapeuta holística, formou-se em Craniosacral Balancing em 1993 na Osho Multiversity (Puna, Índia), onde viveu por 8 anos, atendendo e ensinando essa terapia. Após 10 anos de prática, sentiu haver algo mais profundo durante seus atendimentos, uma quietude que permeava tanto paciente quanto terapeuta e isso a levou a buscar mais conhecimentos com professores de outras escolas. Em 2007 encontrou suas respostas com o seu mentor, Dr. James Jealous, que revolucionou a sua formação. Aziza aliou a sua experiência clínica e pessoal do contato com mestres espirituais e desenvolveu um currículo original para ensinar os princípios da Osteopatia Biodinâmica a todos os interessados em promover a saúde e um modo de vida mais equilibrado, considerando o ser humano em sua totalidade e em harmonia com o seu meio ambiente. Fundou no Brasil o Instituto da Quietude Dinâmica, que promove, com exclusividade, os cursos da Terapia Integração Craniossacral®. (www.integracranio.com.br)